Tuesday, May 8, 2012

Cinema - TOP 30


Volto hoje ao meu top de filmes por ter visto ontem "as lagrimas amargas de petra von kant" do Fassbinder. Fiquei hipnotizado com a capacidade do filme me impressionar nas duas caracteristicas que, ao longo dos anos, me chamam para o cinema:
- IMAGEM: os filmes do meu top sao filmes que acho incrivelmente belos, filmes cujas imagens paradas poderiam ser quadros: paradjanov e pasolini.
- EMOCAO: os filmes do meu top sao filmes que me movem profundamente durante e muito depois de os ver: morte em veneza, ou lolita (kubrick).

Top 30

9 - visconti - death in venice (morte em veneza)
9 - pasolini - the 1001 nights (1001 noites)
9 - paradjanov - pommegranades
9 - annaud - the lover (o amante)
9 - pasolini - gospel according to mathew (evangelho segundo mateus)
9 - kubrick - lolita
9 - fassbinder - bitter tears of petra von kant (as lagrimas amargas de petra von kant)
9 - pasolini - canterbury tales (contos de cantuaria) and decameron
9 - paradjanov - ashik kerb and the suram fortress
9 - pasolini - salo
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8 - lars von trier - idioterne (idiotas)
8 - bergman - the seventh seal (o setimo selo)
8 - lynch - elefant man (o home elefante)
8 - fellini - satiricon
8 - rivette - la belle noiseuse (a bela impertinente)
7 - ray - pather panchali (apu)
7 - herzog - fritzcarraldo
7 - tarkovsky - stalker and solaris
7 - de palma - femme fatale
7 - mikhalkov - burnt by the sun (sol enganador)
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7 - wenders - wings of desire (asas do desejo)
7 - antonioni - blow up
7 - cocteau - blood of a poet (sangue de poeta)
7 - tati - play time and mon oncle (o meu tio)
7 - godard - bande a part and pierrot le fou (pedro, o louco)
6 - varda - cléo de 5 à 7 (cleo das 5 as 7)
6 - cesar monteiro - bodas e comedia de deus
6 - oliveira - vale abraao
6 - ozu - green tea over rice (cha verde sobre arroz)
6 - kubrick - clockwork orange (laranja mecanica)


e 10 mais:
- nolan - memento
- jeunet - delicatessen
- fritz lang - M
- woody allen - annie hall or manhattan
- coppola - apocalypse now
- mikhalkov - unfinished piece for mechanical piano
- pasolini - edipo rex
- bergman - sarabande
- lynch - eraserhead
- chaplin...

Tuesday, April 3, 2012

E' preciso e' falar

Sem planear tenho um blog quase tematico, Michael Kohlhaas e' um blog sobre o falar. Quase todos os posts deste blog sao sobre o falar.
- O que e' isto a que chamamos falar?
- O que esta' a acontecer quando falo?
Meu caro, temos de falar!

Falar e' mexer as cordas vocais - disseram-me. Falar e' como mexer os bracos. E' como piscar os olhos em padroes mais complicados.
Diria ate' que precisas de falar para nao morrer, mexer os bracos em sinaleticas loucas (como quem grita).
E gritar nao e' mais do que mexer os bracos mas rapido, como se a velocidade tivesse um significado. Queria matar o significado - falando. Esse processo que acontece so' em ti. Essa coisa que nem sequer acontece. Esse coisa chama, de fogo, por ti!

Falar liberta - a liberdade. Fazendo sair, de no's, coisas. Atirando!

E ainda ha' sempre o eu. Aquele obvio espaco dentro de MIM. Mas porque' eu? Porque e' que digo as vezes ate' que ha' varios EUs? Dizem que e' o vicio pelos NOMES. Ouvi ate' dizer que nos chamaram, em certo livro, a tal pagina, MAQUINAS DE DAR NOMES a COISAS. Coisas que podem ser cadeiras, palavras e eus. A subjectividade nasce no processo de dar nome a' coisa eu. Mas nos nao somos o nosso nome, julgava. E o pior e' que me disseram que quando falo nao sou eu que falo, e' a fala que fala por mim. Nem vais acreditar quando eu te disser isto ao vivo - isto ouvido!

O importante e' falar. Falar sobre o eu e as coisas. Esticar as palavras, formar novas, ou olhar pela janela fora em busca de coisas para dizer, escrever.
O importante e' escrever. Escrever e' mesmo feito mexendo os dedos. E' a mexer no mundo que se escreve. Nao te esquecas!

Um dia acordei mais ou menos mal disposto e resolvi deixar de falar escrever, deixei ate' de me julgar um ou varios eus. Disse, "hoje vou..." mas falharam-lhe as palavras e deixou de poder contar o tempo porque so lhe saiu HOJE que nem e' um dia. Mas falar, se calhar, e' existir mesmo.

E' preciso e' falar - disseram-me!

Friday, February 10, 2012

A Plague of Survivors

We are descendants of survivors.
"The last point in which Homo sapiens sapiens hit a dangerous low, coming close to extinction, was at year 70,000 BC during the Toba catastrophe. Estimated human world population (Homo Sapiens in Africa) - between 1,000 and 10,000 breeding couples."

But then we became a plague, we are 7 billion.

And I will continue to be another one in the plague.
How can I (my body) be fit to be the only one in the world (survivor) and at the same time be fit to be one in 7 billions in the world (plague)? And between one and the other, the biggest mistake: we have learned to talk. We became we, a we. The we is the plague. It's the plague that says WE!. The survivor doesn't talk...


Sunday, December 18, 2011

types of inscriptions

To write is to inscribe on a media like paper.
To speak is to inscribe on a media like air.
A writer inscribes. A speaker inscribes. This is Derrida's logic.


But Deleuze writes that the activity of thought takes place primarily in writing, and not in dialogue and discussion. And Einstein says that his pencil is smarter than himself.


I am not sure why one type of inscription is different from the other.
We inscribe on a media like the world.


Do we actually inscribe? (I better go and write something longer about this)

Saturday, November 12, 2011


o meu avo nao cantava o fado, mas fez uma guitarra portuguesa.

e eu sei que tenho uma cantinho no manicomio do fado

Sunday, October 30, 2011

(why) "I" can't "write" "here"

I am just about to finish these 2 gigantic texts. There's one single feeling. I am mesmerized. And, as someone just told me after watching Tarkovsky's Stalker, it will take a while to digest all this.

These are "things" I will carry with me all my life. No doubt. Derrida's "the thing itself is a sign", "Le Dehors est le Dedans", "speech is absent" and Heidegger's everydayness, being-already-there, idle talk (the "they"), falling, throwness, having-been (o SER-SIDO), etc, are the most amazing monuments I have seen in my life..